terça-feira, 19 de maio de 2009

Lembranças de uma colega

Aqui fica um texto de uma colega, que vai estar no almoço dia 30, que de certeza fará sentido para muitos:

"A minha antiga escola vai fazer um almoço de Ex-alunos, no final deste mês de Maio.
Quando soube, fiquei mais que contente, pois sem dúvida tive os melhores tempos naquela escola.
Era o tempo das Levi's brancas, das botas de montanha, das t-shirts, dos rapazes de cabelo comprido e dos All Star.
No ano de 1992 foram unidas duas escolas secção, a S. Julião da Barra que ficava em frente à Igreja de Oeiras e a Sebastião e Silva, mais conhecida como "Aldeia dos Macacos"(porque os alunos estavam sempre a trepar as grades da escola junto ao portão).
Estas duas escolas eram como uma uma espécie de "exílio" para alunos conhecidos pela sua rebeldia (o meu irmão não era excepção à regra).
Tenho algumas recordações da Escola S. Julião, como era a irmã do "Padrinho", era praticamente intocável, mesmo nas praxes, ninguém se atrevia.
Por um lado era bom, por outro sentia que não tinha identidade própria, porque eu não era a L. e sim era a irmã do P.E. e a fama do meu irmão não correspondia à minha realidade, pois durante a estadia no "exílio" as asneiras eram uma atrás das outras e nem vou contar, porque senão dava matéria para inúmeros posts.
Só cometi uma asneira nesta escola e é complicado revelar a mesma...
Quando passámos para a - baptizada - Escola Secundária Quinta do Marquês, a transição foi um pouco estranha, ninguém nos via como intrusos, até porque como a escola era nova para todos, não houve muita discordia nem praxes no primeiro ano, éramos um pouco como uma grande família.
Rapidamente a reputação das antigas escolas foi esquecida e, até aos dias de hoje, tem um cartão de visita intocável, quer pelos seus alunos quer pela escola em si.
Foram anos inesquecíveis, foi nesses anos que tive a minha primeira paixão não correspondida, pelo primeiro Presidente da A.E (Ok! Eu confesso!), que me fazia sair das aulas de Matemática (se o Jasmim Gerivaz sonhasse) para lhe ir deixar bilhetes na janela da sala de aulas( Descontinho!Eu tinha 12 anos...), das fantásticas festas ao som do Techno que estava na berra na altura (Exceptuando a La Cabra, que estava censurada pelo seu conteúdo), dos desfiles,dos jogos, das semanas temáticas até do cão da escola, o "Marquês"( Mordeu-me o sacaninha!), com meses de idade a cirandar pelo corredor perto da Papelaria da Escola.
Foi nesses anos que chorámos a morte do Ayrton Senna e do Kurt Cobain, recordo-me que nessa altura até fizémos semanas de luto na rádio, tanto que não passava música e o pessoal andava todo macambúzio.
Em suma, tantas coisas boas que se fizeram naquela Escola e que as irei recordar com um gostinho especial de que fui uma aluna fundadora. Posso não ter sido famosa, como a Ana Pires, a Andreia "Piriquito", o "Gato", o "Maravilhas" ou como a Catarina Melo, mas ter estudado nos primeiros anos de vida desta escola maravilhosa, faz-me ter um sorriso na boca e um piscar de olho.
Lembram-se do Jornal da Escola? Da página dos recadinhos uns para os outros? Alguém guardou algum exemplar? Eu lembro-me perfeitamente da excitação dos alunos a ler aqueles recados bons ou maus dirigidos àquela pessoa. E muitos recadinhos se escreveram para o Gato ou para o Luis Miguel "Hardcore" Valente, no jornal da escola, nas paredes das casas de banho e nas secretárias das salas de aula.
Recordo saudosamente três professores dessa época desde o sétimo ano até ao nono, e em primeiro lugar falo no feminino, da Isabel Silva.
Foi graças a ela que nutri o meu amor pelo Inglês, por ler livros nas versões inglesas e ver filmes sem legenda. Foi graças a ela que aprendi aquele british accent, irritante para muitos...
Lembro-me das primeiras aulas que tive com ela (Ainda na S. Julião), onde nos ensinava o verbo to have e tínhamos de pronunciar o have de modo a apagar a vela. Além do mais, sempre nos ensinou a ter uma postura digna nas aulas, recordando que essa postura serviria para o nosso futuro. Até hoje agradeço-lhe por isso!
O Setôr Pedro Morais, o Jesus Christ Superstar, dava nas vistas, pelo seu grande cabelo ondulado e barba cerrada, pelas suas Levi's brancas com a dobra sempre para cima, tal qual uma virola em calça de fato, as t-shirts tunisinas e pelas Doc Marteens.
Era o professor mais cool e descontraído da escola, foi ele que me incutiu o gosto pela fotografia e me fez estar várias horas no atelier de fotografia da escola, ainda me está na memória o cheiro do líquido revelador, do papel de fotografia, das imagens coladas na parede para secar e das màquinas fotográficas artesanais.
Por fim... Não tenho uma recordação muito boa! Mas sim uma mistura de cómica-má...
Quem é que não se lembra do Setôr Jasmim Gerivaz? Eu lembro-me!
As salas de aula eram as jaulas e nós os macacos, quando ele chegava para a abrir a porta a primeira coisa que dizia era:" Macacos todos para a jaula!" Normalmente mandava sempre um aluno comprar amendoins (gomas) para o resto da macacada, que distribuía ao longo da aula e desenganem-se que os testes daquele professor não eram nada doces.
À conta desta brincadeira do macaco para aqui e macaco para ali, ainda nos levou ao Jardim Zoológico de Lisboa, segundo ele, quis que nós matássemos saudades da família.
Nem vou contar os castigos aplicados a quem pisava o risco na sala de aula, que iam desde ficar a olhar para a parede no canto da sala até á expulsão em série...
Não tenho muitas fotografias da altura, mas ainda tenho a minha t-shirt com o primeiro logotipo da Escola e foi uma das primeiras t-shirts feitas para os alunos da Escola, na sala do Jornal da Escola, pelo Setôr Pedro Morais, nunca me consegui desfazer dela e planeio oferecer a mesma à Escola neste dia que concerteza terá um sabor de saudade para muitos."

2 comentários:

Laetitia disse...

Estava inspirada nesse dia...

As músiquinhas da ESQM ainda continuam na Graphonola do meu blogue.
Bjs

Mamã Gourmet disse...

O teu irmão não era o Pedro Estrela? Que era bombeiro na altura mas também era um rebelde? É que o Pedro Estrela foi da minha turma!

Beijos
Joana Morgadinho